O Grêmio Novorizontino fez história nesta semana. Pela primeira vez na sua trajetória, desde sua fundação em 7 de abril de 1988, a equipe Sub-20 avançou às quartas de final da Copa do Brasil Sub-20, eliminando o Operário-PR por 4 a 2 no agregado. A vitória foi construída em dois jogos tensos — um em casa, no Estádio Jorge Ismael de Biasi (Jorjão), em Novo Horizonte, e outro fora, no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa. O time de Jean Rodrigues não apenas venceu: superou expectativas, resistiu à pressão e mostrou que pequenos clubes, com organização e atitude, podem mudar o mapa do futebol nacional.
Uma vitória construída em minutos decisivos
Na partida de ida, em 29 de outubro de 2025, o Novorizontino entrou em campo com fome de protagonismo. E não perdeu tempo. Aos 4 minutos, o lateral-esquerdo Enzo Rocha recebeu passe de Guilherme Leandro, cortou para dentro e finalizou com precisão no canto direito do goleiro. Menos de quatro minutos depois, Leandro, de cabeça, aproveitou cruzamento da direita e ampliou. Aos 11, o Operário-PR teve chance de descontar: Dudu Mosconi cobrou pênalti após falta de Leandro sobre Henrique. Mas o goleiro Gustavo Hobold fez uma defesa de classe, espalmou a bola para fora. Foi o momento que definiu o rumo da partida. Na etapa final, Jhow diminuiu para os visitantes, mas o placar de 2 a 1 já dava uma vantagem sólida para o time de São Paulo.A volta: pressão, pênalti e coragem
Na volta, em 5 de novembro de 2025, o Operário-PR precisava vencer por dois gols de diferença para avançar. A pressão era enorme. E o clima no estádio, tenso. O Novorizontino, porém, não recuou. Nos acréscimos do primeiro tempo, aos 45+1', Enzo Rocha cruzou da esquerda, Reidiney cabeceou — e um zagueiro do Operário-PR desviou com a mão. Pênalti. O meia Diego Galo, que viria a ser o herói da noite, converteu com frieza. A torcida local gritava, mas o Novorizontino segurava o jogo com inteligência. Na segunda etapa, aos 39 minutos, Matias Luduena serviu Diego Galo na esquerda da grande área. O meia tentou um cruzamento rápido, mas a bola desviou na defesa e sobrou para ele, de perna direita, bater no canto. 2 a 0. O Operário descontou com pênalti de Matheus Galdino Silva aos 42, mas já era tarde. O placar final: 2 a 1. O agregado: 4 a 2. A classificação, histórica."Isso é de todos os envolvidos"
Após o apito final, Jean Rodrigues não conteve a emoção. "A gente sabia que não ia ser fácil, mas fomos organizados, corajosos. E acima de tudo, tivemos atitude para entender o contexto. Essa vitória é de todos: da comissão técnica, dos jogadores, dos funcionários que trabalham nos bastidores. É a primeira vez que o Novorizontino chega às quartas de final em um torneio nacional. Isso nos alegra muito e dá confiança para o próximo jogo, que será especial para todos nós." Enzo Rocha, autor do primeiro gol e protagonista na volta, falou com humildade: "O grupo está de parabéns. Não faltou entrega. O gol que marquei? Agradeço a Deus por essa oportunidade. É reflexo do treino. Mas não tem nada decidido ainda. Temos que continuar focados." E foi isso que fez a diferença. O Novorizontino não tem a estrutura de um Corinthians ou um Palmeiras. Não tem patrocínios milionários. Mas tem um projeto. Um time que treina duas vezes por dia, que estuda os adversários, que acredita. E isso, às vezes, é mais poderoso do que dinheiro.
Um clube que nasceu para crescer
Fundado em 1988, o Grêmio Novorizontino sempre foi um clube modesto. Nos últimos anos, apostou na base. E a aposta começou a dar frutos. Na fase anterior da Copa do Brasil Sub-20, o time acumulou sete pontos em três jogos, com saldo de dois gols. Empatou sem gols com o Coritiba, venceu o Cuiabá por 1 a 0 e o Brasiliense por 2 a 1. O caminho foi duro, mas consistente. Agora, o clube de 37 anos está entre os oito melhores do Brasil na categoria. E isso é mais do que um resultado. É um sinal de que o futebol brasileiro pode ser mais justo.O que vem agora?
O sorteio das quartas de final acontece na próxima segunda-feira, 10 de novembro de 2025. O Novorizontino aguarda seu adversário. Pode enfrentar o São Paulo, o Flamengo ou até mesmo um time surpresa como o São Luís ou o Ypiranga-RS. Mas o que importa agora é o que já foi feito. A equipe não tem mais o rótulo de "coadjuvante". É um time que chegou para ficar.
Por que isso importa?
Muitos acham que o futebol brasileiro é só dos grandes clubes. Mas o Novorizontino prova o contrário. Quando um clube de 30 mil habitantes, sem estádio próprio, sem TV, sem patrocínio de marca, consegue chegar às quartas de final de uma competição nacional, isso muda a percepção. Mostra que talento existe em todos os cantos. Que treinadores como Jean Rodrigues, que trabalham com pouco, são tão importantes quanto os que comandam times de elite. E que, às vezes, o que falta não é dinheiro — é coragem, planejamento e fé.Frequently Asked Questions
Como o Novorizontino conseguiu se classificar pela primeira vez na história?
O Grêmio Novorizontino venceu o Operário-PR por 2 a 1 em ambas as partidas das oitavas da Copa do Brasil Sub-20, somando 4 a 2 no agregado. A equipe mostrou organização tática, defesa sólida e eficiência ofensiva, com gols de Enzo Rocha, Guilherme Leandro e Diego Galo. A vitória foi construída com disciplina, mesmo diante da pressão de um adversário que precisava vencer por dois gols de diferença.
Quem são os principais jogadores que marcaram a diferença?
Enzo Rocha foi fundamental: marcou na ida e criou o pênalti na volta. Diego Galo, meia de 18 anos, foi o artilheiro da fase, com dois gols decisivos. Guilherme Leandro, volante, abriu o placar na primeira partida e foi peça-chave na contenção. O goleiro Gustavo Hobold também se destacou com a defesa do pênalti na ida, que foi o ponto de virada do confronto.
O que essa classificação significa para o clube e a cidade de Novo Horizonte?
Para o Novorizontino, é o maior feito da história da base. Para a cidade, com menos de 40 mil habitantes, é um orgulho nacional. A vitória atrai atenção da mídia, potenciais patrocinadores e novos talentos. Muitos jovens da região agora veem no clube um caminho real de crescimento — e não apenas um sonho distante.
O técnico Jean Rodrigues tem experiência anterior em competições nacionais?
Jean Rodrigues é treinador da base do Novorizontino desde 2022. Antes disso, trabalhou em clubes da região de São Paulo, como o Rio Branco-SP e a Academia de Futebol de Jundiaí. Embora não tenha experiência em competições nacionais como técnico principal, sua metodologia de trabalho, focada em disciplina e inteligência tática, foi decisiva para o avanço do time nesta Copa.
O Operário-PR teve chances reais de avançar?
Sim. O Operário-PR precisava vencer por dois gols de diferença na volta para avançar diretamente. Mesmo com o 2 a 1, a equipe teve momentos de pressão, especialmente no segundo tempo. Mas falhou na eficiência: desperdiçou chances claras, errou passes decisivos e não conseguiu superar a defesa bem organizada do Novorizontino. A derrota foi dolorosa, mas não surpreendente — o adversário estava melhor preparado.
O que o Novorizontino precisa fazer agora para seguir na competição?
O clube precisa manter o foco e a humildade. O próximo adversário será sorteado em 10 de novembro e pode ser um dos grandes do futebol brasileiro. O time deve priorizar recuperação física, análise tática do rival e manter a confiança sem deslumbramento. A base já provou que pode competir. Agora, é a hora de mostrar que pode vencer.
Comentários (2)
Marcelo Serrano
novembro 29, 2025 AT 06:16Essa classificação é o tipo de coisa que me faz acreditar de novo no futebol brasileiro. Time pequeno, sem grana, mas com coração. Isso aqui não é sorte, é trabalho diário, treino duas vezes por dia, estudo de vídeo, disciplina. O Novorizontino tá mostrando que o futebol não precisa de patrocínio de cerveja pra ser bonito.
Parabéns a toda a estrutura, aos jogadores, ao técnico Jean. Isso aqui é inspiração pra todo país.
Reinaldo Ramos
novembro 29, 2025 AT 12:17Se fosse um time grande, todo mundo já tava celebrando como uma grande conquista. Mas como é um clube de interior, tá sendo ignorado pela mídia. O futebol brasileiro é mesmo uma piada.