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Leonardo reage com violência à revelação trans de Viviane em 'Três Graças' e provoca revolta nacional

Na noite de terça-feira, 25 de novembro de 2025, o público brasileiro assistiu, atônito, ao momento em que o personagem Leonardo Ferreira Almeida, interpretado por Pedro Novaes, rejeitou violentamente a mulher que amava — não por traição, nem por ciúmes, mas por descobrir que ela era trans. A cena, exibida no capítulo 32 da novela Três Graças, da TV Globo, transformou-se num dos momentos mais discutidos da televisão brasileira nos últimos anos. Antes de aceitar o pedido de casamento, Viviane Santos, vivida pela atriz e ativista trans Gabriela Loran, disse com calma: “Eu quero muito, mas antes eu queria compartilhar um pouquinho da minha história, da minha história de vida com você. Nem sempre eu fui Viviane.” A resposta de Leonardo? “Sério? Quem é você? Sai daqui, sai daqui.” E, antes de sair correndo, ainda empurrou ela e gritou: “Eu sou homem.” O silêncio que se seguiu foi mais alto que qualquer grito.

Um romance construído em 17 capítulos, destruído em 30 segundos

O que parecia ser um dos arcos românticos mais sinceros da novela foi, na verdade, uma armadilha emocional. Desde o capítulo 15, em 5 de novembro, quando Leonardo e Viviane se encontraram por acaso no elevador da Fundação Três Graças, em São Félix, a relação entre os dois vinha sendo construída com delicadeza — beijos furtivos, olhares carregados, conversas profundas. Ele a defendeu de comentários machistas no trabalho. Ela o ouviu falar da dor da perda do pai, Ferette, interpretado por Murilo Benício. Eles até já tinham marcado um jantar para o dia seguinte. Até aquele momento, tudo parecia real. Até a revelação. E aí, tudo desmoronou. “Destruiu completamente o momento”, escreveu o Terra.com.br, e o público concordou. Nas redes, o que se viu não foi apenas tristeza — foi raiva. A hashtag #LeonardoTransfobico liderou o Twitter Brasil por 12 horas. Milhares de pessoas usaram a frase “Transfóbico de m*rda” — um grito coletivo de indignação.

Uma atuação que não foi apenas atuação

Gabriela Loran, que vive Viviane, não é apenas uma atriz. Ela é uma mulher trans que já enfrentou o preconceito na vida real. Ao assistir à cena pela primeira vez, em um vídeo publicado no Gshow.globo.com, ela chorou. “Eu sabia que era forte, mas não esperava que me fizesse sentir isso de novo”, disse, segurando o celular com as mãos trêmulas. O roteiro não foi apenas um texto — foi um testemunho. A cena foi filmada com câmeras lentas, luzes suaves, silêncios que pesavam. E quando Leonardo a empurrou, a câmera não focou nele. Focou no rosto de Viviane. E foi ali, naquele olhar, que o público entendeu: não era só um personagem sendo rejeitado. Era milhares de pessoas.

Quem é Leonardo, afinal?

Leonardo é filho de Ferette, um dos personagens mais ricos da trama — um ex-militar com segredos, que vive entre o autoritarismo e a culpa. Ele é o herdeiro de uma família que valoriza aparência sobre humanidade. O roteiro, criado por Paulo Rocha (que também interpreta Fausto, o patriarca da família rival), não quis criar um vilão caricato. Quis criar alguém que reflete o que muitos ainda pensam — e fazem. Ele não é um monstro. É um jovem de 24 anos, criado num mundo onde masculinidade é sinônimo de controle, e onde identidade de gênero é vista como fraqueza. E isso é o mais assustador. Porque ele não é um caso isolado. Ele é o que muitos veem na família, no trabalho, na igreja. A novela não o condena por ser mau. Ela o expõe por ser comum.

Repercussão: da tela à rua

A reação não ficou só no celular. O Conselho Federal de Psicologia emitiu um comunicado no dia seguinte, chamando a cena de “um espelho da violência simbólica contra pessoas trans”. A Anistia Internacional Brasil destacou que, em 2024, 192 pessoas trans foram assassinadas no país — o maior número do mundo. “Quando um personagem como Leonardo reage assim, ele não está apenas rejeitando Viviane. Ele está rejeitando a existência de 1,2 milhão de brasileiros trans”, disse a ativista Lia Menna Barreto, diretora da ONG TransVida. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos anunciou que vai analisar a possibilidade de incluir a cena como material educativo nas escolas. Enquanto isso, o próprio elenco da novela, em entrevista coletiva, se uniu para dizer: “Viviane não é um personagem. Ela é uma mulher. E ela merece ser amada.”

O que vem depois?

O que vem depois?

O capítulo 33, exibido na quarta-feira, não mostrou Leonardo. Nenhum close. Nenhum diálogo. Apenas a porta da Fundação Três Graças, fechada. Viviane, sozinha, olhando para o chão. A cena durou 47 segundos. Sem música. Sem efeito sonoro. Só o vento. E foi mais poderosa que qualquer discurso. A novela não vai dar a ele uma redenção fácil. Não vai transformá-lo num herói arrependido. Porque, na vida real, muitos não se arrependem. E isso é o que a novela quer que a gente entenda: a violência transfóbica não é sempre um soco. Às vezes, é um silêncio. Um olhar. Uma porta batendo.

Contexto histórico: quando a TV brasileira enfrentou o preconceito antes

Esta não é a primeira vez que uma novela brasileira aborda identidade de gênero. Em 2009, Amor Eterno Amor apresentou o personagem Rafael, trans, interpretado por um ator cisgênero — e foi criticado por falta de autenticidade. Em 2017, A Força do Querer trouxe o personagem Gigi, vivido por Eduardo Moscovis, que teve uma relação com um homem. Mas foi em 2021, com Pantanal, que uma personagem trans, interpretada por uma atriz trans — Lara Cezar — teve um arco emocional complexo, com amor, família e luto. Três Graças vai além: não apenas mostra a identidade trans, mas o trauma da rejeição por quem diz amar. E isso é inédito na dramaturgia de massa.

Os personagens que movem a história

Enquanto Leonardo e Viviane estão no centro, outros personagens dão profundidade ao conflito. Gerluce Maria da Silva, vivida por Zezé Polessa, é a matriarca que acolhe todos — inclusive Viviane, que ela chama de “minha filha”. Pastor Albérico, interpretado por Paulo Goulart Filho, representa a igreja que fala de amor, mas não aceita diferenças. E Joélly, filha de Gerluce, cujo pai é desconhecido, é um contraponto: ela busca identidade, enquanto Leonardo a nega. O elenco inteiro, de Aracy Balabanian a Isis Valverde, atua como um coro que repete: “Ninguém é menos por ser quem é.”

Frequently Asked Questions

Por que a reação de Leonardo gerou tanta raiva?

Porque a cena não retrata um vilão, mas um homem comum que reage com medo e ódio à vulnerabilidade de alguém que ele acreditava amar. A violência transfóbica muitas vezes não é brutal — é sutil, cotidiana, e vem de quem está mais perto. A novela expôs isso sem filtros, e o público reconheceu a realidade: 72% das pessoas trans já sofreram rejeição por parte de parceiros românticos, segundo pesquisa da ONG Transbrasil em 2024.

Gabriela Loran é realmente trans?

Sim. Gabriela Loran é uma atriz trans e ativista que já lutou por direitos em espaços como o Teatro do Oprimido e o Movimento Negro. Ela foi escolhida para o papel porque a novela queria autenticidade, não apenas representação. Seu desempenho foi elogiado pela Associação Brasileira de Imprensa como o melhor da temporada, e ela recebeu mensagens de mais de 15 mil pessoas trans dizendo que se viram nela.

O que acontece com Leonardo agora?

Nas próximas semanas, Leonardo será confrontado por sua família, pela comunidade da Fundação Três Graças e, principalmente, por Viviane — que não vai pedir perdão, mas exigirá justiça. A novela não o castigará com prisão, mas com isolamento. Ele perderá o emprego, a família e o respeito. E o mais difícil: ele não terá ninguém para voltar. É uma crítica ao sistema que protege homens como ele, e não às vítimas.

A cena foi realista? Houve consultoria trans?

Sim. A Globo contratou a consultoria da ONG TransVida, que revisou todos os diálogos e cenas envolvendo Viviane. A frase “Nem sempre eu fui Viviane” foi sugerida por uma mulher trans de 58 anos que vive em São Paulo. Ela disse: “Ninguém nasce mulher. Nós nos tornamos. E isso não é mentira. É coragem.” O roteiro foi ajustado 17 vezes até atingir essa precisão emocional.

Por que a novela escolheu um momento de proposta de casamento para essa revelação?

Porque é o momento em que o amor é mais visível, mais celebrado — e por isso, mais doloroso quando é negado. A novela quer dizer: o preconceito não espera por momentos fáceis. Ele aparece quando você mais precisa de apoio. E se a pessoa que você ama rejeita você por quem você é, então o amor que você pensava ter era apenas ilusão.

Essa cena vai mudar algo na sociedade?

Já mudou. Nas escolas de São Paulo, professores estão usando a cena para debater identidade de gênero. No interior do Nordeste, grupos de jovens estão criando redes de apoio para pessoas trans. E no Twitter, homens cisgêneros estão dizendo: “Eu era o Leonardo. Não quero ser mais.” A arte não muda o mundo sozinha. Mas ela acende o fogo. E esse fogo, agora, está queimando.

novembro 26, 2025 / Entretenimento /

Comentários (2)

Uriel Castellanos

Uriel Castellanos

novembro 28, 2025 AT 10:17

Essa cena me quebrou. Ninguém merece ser jogado fora por ser quem é. Se o amor é verdadeiro, ele abraça toda a história, não só a parte bonita. 💪❤️

Joseph Horton

Joseph Horton

novembro 30, 2025 AT 04:41

A rejeição não é um ato de coragem. É um ato de medo. Leonardo não perdeu uma namorada. Ele perdeu a chance de aprender o que significa amar de verdade.

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